Meu corpo é trabalho, meu nome é rancor.
Trinta e cinco horas semanais
pelo sagrado direito à alienação mental,
pelo tributo pago ao pertencimento social,
pelo respeito que me prestam em casa.
Sinto o tempo tombando as minhas costas, com tanto amor
Que brotam rugas nas curvas de cada sorriso
Que deixei de dar
Porque eu trabalho num lugar
Onde a felicidade é poder trabalhar em paz
E quem ousaria
Mas até se ganha algum dinheiro
Com alguma dor
Que nasce das dobras de cada improviso
Que preciso criar.
Triste criatura.